Castelinho

Minha Trajetória…

A missão que desempenhei por mais de 30 anos não fui eu quem escolhi. Foi Deus quem me comissionou.

Recém-casada, morando em Belo Horizonte, fazendo faculdade e trabalhando no Colégio Batista Mineiro, certo dia, indo para o serviço, ouvi, ao passar em frente ao quarteirão do primário: “Você será diretora de uma escola.” Como Maria, guardei essas palavras no meu coração.

A vida seguiu seu curso… A década de 80 trouxe momentos de alegria, mas também desafios difíceis. Perdemos três filhos, enfrentei complicações de saúde. Mas, pela graça de Deus, em 1984 nasceu o Rafael, e em 1986, o Leonardo. Mudamos para Betim, onde havia um lugar chamado Castelinho. Sempre que passávamos por ali, eu pensava: “Se um dia eu tiver uma escola, esse será o nome dela.” Depois, nos mudamos para Cuiabá, mas o clima não permitiu que permanecêssemos lá. Retornamos para Araguari em 1989.

O tempo continuou avançando… O Carlos trabalhava no CMBEM, e estávamos na Igreja Batista Boas Novas. Sem que eu procurasse, fui convidada para ser coordenadora da creche do bairro Santa Helena, mas, por questões políticas e religiosas, não pude continuar por ser esposa de pastor e o prédio ser de doação católica. Acabei transferida para a creche do Santa Terezinha, onde inauguramos a Creche Lázaro Camargo.

Enquanto isso, Carlos reunia as professoras da igreja para criar uma escola. Eu não fazia parte do grupo – não era pedagoga. Apenas dava algumas opiniões e, quando escolheram o nome, sugeri O Castelinho. Mas o nome escolhido foi Mundo Encantado, e assim começaram as atividades em 1991, sob a liderança das irmãs Maria Helena Rodrigues e Walquíria Guimarães na administração e direção pedagógica, além de professoras como Sandra Alvarenga e Jane Carrijo.

Pouco tempo depois, Maria Helena e Walquíria saíram para aceitar propostas de trabalho melhores. Nessa época, uma mãe de uma aluna, que trabalhava na contabilidade da Prefeitura de Araguari, nos informou sobre um programa de auxílio às escolas particulares, oferecendo um funcionário pago pela prefeitura. Insistiu para que o Carlos solicitasse esse benefício. Assim, fui transferida da creche para a escola Pré-Escolar Mundo Encantado.

Os Planos de Deus

Hoje, olhando para trás, percebo que fui como Jonas, fugindo do meu chamado. Deus me colocou no propósito que Ele já havia determinado. Nos primeiros anos da escola, enfrentamos desafios inesperados – cobranças indevidas, até uma intimação judicial com acusações graves. Mas ao ler o documento, percebi que não conhecia nem a mãe nem o aluno mencionados. O nome da escola envolvida era Jardim Encantado, não a nossa. Como esses enganos se tornaram frequentes, decidimos mudar o nome para O Castelinho.

Agora, tudo estava no lugar certo.

Ao longo desses anos, vi muitas escolas da década de 90 desaparecerem em Araguari – Externato Santa Terezinha, Savério Petanha, Chapeuzinho Vermelho, IPEA, Girassol, Curumim, Doce Vida, Tia Marlene do Bairro Goiás, entre tantas outras. E nós permanecemos de pé. Não por mérito nosso, mas porque a bondosa mão de Deus sempre nos sustentou.

Em todo o tempo, e o tempo todo, corremos para a presença de Deus, e Ele, na sua infinita misericórdia, nos socorreu. O inimigo tentou nos abalar, mudamos de lugar, a escola esteve dentro da nossa casa e nós dentro dela. Fomos julgados, condenados, roubados, lesados, feridos… Mas Deus esteve sempre ao redor, nos cobrindo com Sua paz, que excede todo entendimento.

Gratidão e Legado

Se não fosse o Senhor, há muito teríamos sucumbido. Nesses 30 anos, me pautei em dois princípios:

  1. Fazer meu trabalho para o Senhor, conforme Colossenses 3:23-24.

  2. Jamais reter o salário do trabalhador, conforme Levítico 19:13.

Falhas? Sim, tive. Mas me esforcei ao máximo. Ensinei as professoras a darem o seu melhor, não para mim, mas para Deus. Sou grata por cada colaboradora que passou por aqui e espero que tenham levado algo de bom dessa caminhada.

Quando Jesus chamou Pedro, perguntou três vezes: “Tu me amas?” Ele não perguntou se Pedro tinha diploma, curso teológico, mestrado ou doutorado… O requisito era o amor ao Senhor. E continua sendo! Fazer por amor a Deus. Sem isso, todo conhecimento é vazio, como nos ensina 1 Coríntios 13.

Agora, chega o momento de transferir esse legado. O Castelinho seguirá com Tuany e Rafael, que assumirão essa missão com a mesma fé e compromisso. Minha oração é que recebam porção dobrada do Espírito Santo para este desafio. Que o Senhor Jesus prospere Seus planos eternos na vida de vocês!

Sabedoria, amor, moderação e temor ao Senhor são conquistas de joelhos.

Missão dada: pastoreiem meus cordeirinhos!

Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Salvador, estejam com cada um de vocês. Amém.

Lucilei de Campos Resende

Diretora do Castelinho

Discurso de transferência de legado, realizado em reunião honorária ao final do culto em 09 de fevereiro de 2025.